"Hoje a salvação entrou nesta casa" (Lc 19:9).
Quando menino, ouvi várias vezes a história do rei que se despojava de seus trajes reais, vestia-se humildemente e misturava-se com o povo. Saturado das falsidades palacianas e dos elogios irreais, misturava-se ao povo para saber o que pensavam a seu respeito. O seu desejo era ser aceito por eles.
A necessidade básica de Zaqueu, chego à conclusão, era a de ser aceito. Sendo judeu, trabalhava para os romanos opressores de seu povo. Recolhia o dinheiro de seus compatriotas e roubava um pouco para si – a causa do seu desprezo.
Zaqueu possuía tudo o que o dinheiro pode conseguir, mas era um homem vazio. Tenho ouvido de milionários que deixam suas mansões e, incógnitos, vão aos bancos das praças mendigar uma conversa, recebendo a atenção sincera de alguma pessoa.
A notícia sobre Jesus chegou aos ouvidos de Zaqueu. Soube, inclusive, que um colega havia sido aceito pelo Senhor e O seguia. Zaqueu tentou romper todas as barreiras para encontrar-se com Ele. Não sei quantos milionários necessitados deixariam seu status para subir numa árvore com o único propósito de ver Jesus! Zaqueu queria ser ouvido. Gostaria de ser aceito!
Jesus deixa todos estupefatos quando se detém debaixo da árvore onde estava aquele homem necessitado – Ele sempre tem tempo para os necessitados. Chama Zaqueu pelo nome. Ele conhece os que O procuram e até sabe os seus nomes. Vai à casa de Zaqueu. A conversa foi longa. Creio que Zaqueu foi o que mais falou. Havia muito a confessar, e a confissão veio espontânea dos lábios deste homem carente. Alguém parou para ouvir o seu problema; o compreendeu; o amou... foi até à sua casa. Casa desprezada pelos parentes e vizinhos. O desprezado Zaqueu encontrou alguém que o amou e o aceitou.
Depois daquela visita, Zaqueu jamais foi o mesmo homem. Realmente, um milagre aconteceu. "Houve salvação nesta casa." O pequeno homem havia sido alcançado por Aquele que ama, compreende, perdoa e está sempre a nos dizer: "Vinde a Mim... E achareis descanso".
Pensamento: Deus nos conhece e sabe exatamente o que necessitamos.
Oração: Senhor, que possamos buscar a Jesus com a mesma intensidade de Zaqueu. Em Cristo, amém.
Leitura: Mateus 15:21-39 – Levítico 26-27 – Eclesiastes 1:12–2:26
Este devocional faz parte integrante do livro Bálsamo e Mel. Direitos reservados do autor.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
NECESSIDADE DE ACEITAÇÃO
sábado, 6 de outubro de 2012
TEM CUIDADO DA DOUTRINA
A exortação de Paulo ao seu discípulo mais chegado, Timóteo, ecoa com força em nossos dias. A igreja evangélica brasileira – uma das mais crescentes do mundo – tem sido invadida por uma onda de novidades. Em função desta pressão da modernidade que invade o terreno do sagrado, é tempo de ter "cuidado com a doutrina".
Doutrina é um conjunto de princípios que regem a nossa vida. Devem ter fundamentos, provados pela experiência. Ser confirmada pela vida e qualidade de testemunho e propósito.
Dentro da exortação paulina, tendo como pano de fundo os dias difíceis – com a crescente ameaça de apostasia e de doutrina de demônios –, a necessidade de se firmar no que se crê é fundamental.
Os velhos princípios da fé cristã não podem ser negociados pela onda de "sentimentos" e "novas experiências" que correm por aí. A salvação pela fé, fundamentada na graça; o arrependimento de pecados, com mudança radical de vida; a Palavra como referencial absoluto de direção para o crente; a santificação do coração; a vida no Espírito; a soberania de Deus e outros temas não podem ser sufocados pelo "evangelho fácil" que varre a Igreja dos nossos dias.
A busca de sucesso é um perigo. Evangelho, às vezes, é o antônimo disso. Desprezo. Traição. Renúncia. Cruz. Morte. São palavras comuns no Evangelho e, hoje, desprezadas.
Ter cuidado com a doutrina é coisa fundamental. Correr atrás de novidades é fruto da imaturidade do crente. "Eu sei em QUEM tenho crido" é mais importante do que "Eu sei no QUE tenho crido".
As palavras de Wesley ecoam hoje com muita autoridade e aplicação: "Na fé cristã tudo o que é novo não é verdadeiro; mas tudo o que é verdadeiro não é novo".
Pensamento: "Sentimentos" e "novas experiências" não podem ser negociados pelos velhos princípios da fé cristã.
Oração: Pai, obrigado pela Palavra que é luz para o meu caminho. Em nome de Jesus, amém!
Leitura: Mateus 14:1-21 – Levítico 20-21 – Provérbios 30
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
A CONSOLAÇÃO DE DEUS
"Que nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, encham os seus corações de ânimo" (1 Ts 3:16-17).
A vida abre feridas que julgamos não haver cura. Momentos há em que tudo parece haver desmoronado, e ficamos possuídos de um vazio tão grande que nada consegue preencher. Um dia ou outro, todos passamos por experiências deste tipo. Embora cada pessoa possa imaginar que os seus problemas e desafios sejam diferentes dos de outras pessoas, há uma certa unanimidade: "a chuva cai sobre justos e injustos...". Ninguém é poupado do sofrimento.
Entretanto, porque somos filhos de Deus, é maravilhoso ver como Deus nos trata em ocasiões como estas. Ele sabe que a dor é a reação normal em resposta ao sofrimento. Ele mesmo chorou quando Seu amigo Lázaro morrera. Porém, Ele desce até nós com um toque especial e nos fala numa linguagem, e ameniza com Sua presença a dor que dilacera a nossa alma. Reconhecer a fraqueza e a fragilidade humana diante da dor, do sofrimento, da morte não provoca em Deus uma posição filosófica, um comentário ou um discurso de consolo. Não! Deus age – e começa pela Sua ação de consolo.
Paulo em Rm 15:5 e 2 Co 1:3 qualifica Deus como "O Deus da Consolação". João escreveu que o "Espírito Santo seria o Consolador, enviado pelo Pai". As mudanças visíveis ainda não aconteceram, alterando as circunstâncias externas, mas o Espírito de Deus já atua em nosso coração, em nossas emoções, em nossa vontade, com a Sua consolação.
Sim, a vida abre feridas e nem sempre as cicatriza. Deus sabe como penetrar em nossas brechas e consolar as necessidades básicas de nosso ser. Ele nos ama e nos compreende. Ele é o Deus da consolação.
Pensamento: Ninguém é poupado do sofrimento.
Oração: Pai, obrigado por haver enviado o Consolador para tratar meu coração de forma a exaltar Teu nome. Por Jesus, amém!
Leitura: Mateus 13:24-58 – Levítico 19 – Provérbios 29
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
UMA ARTE CHAMADA DETERMINAÇÃO
"Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus. É claro, irmãos, que eu não penso que já consegui isso. Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente" (Fp 3:12-13).
Paulo, no fundo da prisão, afirmou: "uma coisa eu faço". Esta expressão indica uma determinação imbatível, especialmente em relação à vida cristã.
Para tudo na vida é necessário determinação. Para melhorar seus relacionamentos, suas atitudes em casa, para colocar as prioridades no lugar.
Determine-se! Construa mais, leia mais, invista mais tempo com a Bíblia.
Um passo importante nesta arte envolve o esquecimento das coisas que não deram certo: "esqueço aquilo que fica para trás" . O que não deu certo pode vir a ser a sementeira daquilo que vai dar certo. Esqueça as pessoas que lhe fizeram mal, aqueles que o traíram. Não guarde ressentimento.
Uma pessoa determinada é também aquela que toma a resolução de avançar: "avanço para o que está na minha frente"
Prossiga! Vá para frente! Ainda que todas as coisas pareçam atrapalhá-lo. Há um prêmio, uma recompensa: "Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus" (v.14).
A arte da determinação... que bela maneira de viver!
Pensamento: Importa caminhar hoje amanhã e sempre.
Oração: Senhor Deus, ajuda-me a dar um passo de cada vez, mas dar todos os passos necessários para cumprir a Tua vontade. Em nome de Jesus, amém.
Leitura: Mateus 13:1-23 – Levítico 17-18 – Provérbios 28
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
SANTIDADE: NOSSA MISSÃO AO MUNDO
"A quem enviarei, e quem há de ir por nós?"(Is 6:8).
O lema acima foi lançado quando da Convenção da Sociedade Missionária em Kansas City, por ocasião da Assembléia Geral. Nossa maior responsabilidade e missão ao redor do mundo é pregar a doutrina bíblica da santidade cristã. Não descuidamos dos demais compromissos que a fé cristã nos obriga, mas, certamente, não podemos ser negligentes com aquela que é nossa missão distintiva.
Há motivos para enfatizar algo tão óbvio entre nós? Sim, há! — pois campeia por todos os lados uma frouxidão moral e doutrinária que nos preocupa.
A Igreja recebeu a responsabilidade de preservar e anunciar os mistérios de Deus (há muitas outras coisas que a Igreja pode e deve fazer, mas somente ela pode anunciar os mistérios de Deus – ninguém mais!). "A quem enviarei, e quem há de ir por nós?" (Is 6:8).
Para anunciar com ousadia, tornou-se necessário restabelecer os conceitos que temos, para que a mensagem pregada com fervor não fique desprovida de seu argumento maior, que são os frutos que a acompanham.
A mensagem do Evangelho é a mesma do passado: Um Deus Santo chamando um povo à santidade. Podemos mudar os vocábulos e a terminologia, mas jamais poderemos distorcer o sentido da mensagem. Os padrões de Deus são imutáveis. O que era pecado ontem o é hoje. Por mais que queiramos pintá-lo em cores mais brandas, o pecado gera separação entre o homem e seu Deus.
Levantemos os nossos olhos ao derredor, vejamos as necessidades patentes do nosso povo e sejamos fiéis à mensagem que nos foi legada: Santidade, a nossa missão ao redor do mundo.
Pensamento: Deus chama o povo à santidade.
Oração: Pai santo, permita-me, com os olhos da fé a viver a santidade para asssim manifestar Tua essência ao mundo. Em nome de Jesus, amém.
Leitura: Mateus 12:1-21 – Levítico 14 – Provérbios 26
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terça-feira, 2 de outubro de 2012
O BICHO COMEU
"No mesmo instante o anjo do Senhor feriu a Herodes, pois ele aceitou a honra que só Deus merece. E ele morreu, comido por vermes" (At 12:23).
Normalmente, se alguém é devorado por algum animal, ou é por descuido, ou por acidente. Conhecemos muitas histórias cujo pano de fundo é uma destas duas coisas. Mas o livro de Atos conta a história de alguém devorado pelos bichos por outro motivo. Qual? Vaidade. Herodes era um homem poderoso. Precisamos entender que todo poder é passageiro. Poder é algo que exercemos em nome de alguém ou para alguém. Aquele soberano, poderoso, ao fazer um discurso, parece ter sido tão feliz que o povo exclamou: "É a voz de um deus!". Não é que ele acreditou?
Egolatria é um dos maiores problemas que o ser humano pode confrontar. Quando alguém afirma ser o que não é, ou aceita como verdade o que os outros estão dizendo a seu respeito, começa a correr perigo. Herodes é o modelo perfeito deste homem. Acreditou que o elogio recebido era merecido. "Eu sou deus. Eu sou poderoso. Eu tenho autoridade." No meio cristão alguns se auto-intitulam com tantos adjetivos, atualmente, que, creio eu, às vezes Deus pensa: "Não sei como viverei sem esta pessoa..."!
Herodes tomou para si glória indevida. A glória é só para Deus. Homem nenhum, em nenhum momento, é digno de receber glória. Ainda mais, ser chamado de deus. Na Argentina. dizem que Pelé é rei, mas Maradona é deus... Abriram até uma igreja para cultuá-lo.
Herodes caiu morto no instante em que aceitou uma glória que não lhe pertencia. O Texto Sagrado tão somente afirma: "...ele aceitou a honra que só Deus merece". Num instante, os vermes vieram sobre ele e o devoraram (At 12:23).
Lembra-se da história de nossa infância? "Cadê o toucinho que estava aqui? — O gato comeu!!!!" Pois é! O grande ladrão da alegria continua devorando os insensatos que não sabem dar glória a Quem é devida.
Pensamento: Toda glória pertence unicamente a Deus!
Oração: Pai, ajuda-me a entender quem sou eu! Preciso, a cada dia, lembrar-me de que sou nada mais do que criatura! Criado para o louvor da Tua glória. Em nome de Cristo, amém!
Leitura: Mateus 11:20-30 – Levítico 13 – Provérbios 25
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
REVENDO NOSSOS VALORES
"Orem sempre e sejam agradecidos a Deus..." (1 Ts 5:17-18).
Quando a Igreja estava no período de formação, uma das exortações deixadas em uma das menores epístolas foi: "Lutai por preservar a fé que uma vez foi dada aos santos".
Às vezes, pergunto a mim mesmo o porquê de uma exortação tão forte para aqueles dias em que a Igreja caminhava de forma suave.
Hoje entendo: nunca foi tão grande a quantidade de interpretações distorcidas do conteúdo essencial do Evangelho. O básico – na verdade é o fundamental – tem sido substituído pelo secundário. No afã de produzir resultados, a verdade é sacrificada; a integridade tem dado lugar à perversa utilização da fé para fins pessoais, mercenários. A criação de um compartimento para a fé que sacrifica as pessoas – em lugar de oferecer a elas os benefícios do sacrifício de Cristo – é uma perversão dos nossos valores fundamentais.
Prega-se e ensina-se quase nada acerca dos fundamentos da salvação, que implica em arrependimento, restituição, mudança de vida e conduta; no entanto, gasta-se tempo enorme tentando dar aos fiéis alimento que não os leva a lugar algum.
Numa entrevista, certa ocasião, ao ser perguntado pelo jornalista quais eram os meus sonhos para o futuro da nossa igreja, respondi que, não só para a Igreja do Nazareno, mas para a Igreja Evangélica, o meu desejo se constitui em pelo menos quatro coisas:
1. Voltar ao evangelismo genuíno. Ganhar almas é a prioridade única da Igreja. Se cumprirmos o essencial, já faremos uma grande diferença – pois esta é a vontade de Deus: "salvar o perdido".
2. Restaurar a ética cristã entre as ovelhas e pastores. Mais verdade, respeito e transparência naquilo que afirmamos crer e ser. Nós somos a primeira "Bíblia" que o mundo lê. "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (Jo 13:35).
3. Mais fidelidade aos elementos essenciais da Igreja. Só a Palavra; só a Graça; só a Fé. E tudo para a glória de Deus, somente. É simples, não precisa ser complicado.
4. Orar e esperar, com espírito de urgência, um avivamento espiritual. Será que é querer demais?
Pensamento: Os nossos valores fundamentais não podem ser negociados.
Oração: Senhor Jesus, ajuda-me a ganhar almas para Ti e que não negociem a Tua Palavra. Em Teu nome, amém.
Leitura: Mateus 11:1-19 – Levítico 11-12 – Provérbios 24
Este devocional faz parte integrante do livro Bálsamo e Mel. Direitos reservados do autor.